A Interpretação Física

A repressão está acontecendo. Para ser amado, produtivo e invejável preciso seguir os modelos e condicionamentos. Não penso e vou em frente.

Mas, lá no fundo, sinto raiva, medo e culpa. Tudo isso me intoxica e vem a dificuldade de pensar e discernir. O quê fazer? O instinto de preservação prevalece.

Não faço o quê realmente desejo. Me “sedo” com o que primeiro vier nesta confusa cabeça.

Então, rapidamente vem a sensação de cansaço e falta de vitalidade. Vem a frustração, depressão, sensibilidade à flor da pele, choro, desespero, falta de ânimo, mau humor e ansiedade.

Mas, cada um reage de um jeito. A pessoa mais guerreira irá esconder-se na sua ação incessante.

A pessoa mais sensível irá fragilizar-se, compensando em outras fontes de “nutrição” e levará um bom tempo para ‘reagir’. Enfim, sempre optamos igual: nos distanciar (sedar) cada vez mais da origem.

Perceba que tudo o que foi gerado neste processo é venenoso. Os pensamentos, as emoções e os sentimentos não foram amorosos, mas sofridos, ‘insanos’.

As formas de compensação também são “drogas” ao serem usadas como um “ópio” para sedar a dor, o vazio e a subnutrição da Alma.

Para sair deste círculo vicioso e discernir o que é “sano” há que se fazer uma faxina. Desintoxicar-se.

Precisamos dos nossos órgãos excretores a pleno vapor para nos ajudar.

Mas, sem consciência, acordamos e imediatamente tomamos um estimulante qualquer – café, chá, álcool, fumo ou comida.

Desta forma, todos os sintomas descritos acima, que correspondem à sobrecarga nos órgãos de eliminação e a um início de intoxicação geral, desaparecem em alguns instantes.

Todos os estimulantes – ou o simples fato de comer – bloqueiam os mecanismos de eliminação.

A sensação de melhoria é imediata, mas para complicar, as funções excretoras são interrompidas antes que sua tarefa cotidiana tenha sido finalizada.

Desta forma, todas as toxinas não eliminadas – ou precariamente eliminadas – serão certamente reabsorvidas, acumulando-se, dia após dia.

Quando um órgão de eliminação está sobrecarregado, o corpo cria um recurso de compensação, aumentando a mobilização via os outros órgãos excretores.

Este mecanismo funciona bem se for por um breve período ou esporadicamente. Mas quando acontece com frequência, este recurso entrará em “alerta” avisando o “proprietário” do corpo, através de sintomas cada vez mais intensos que algo não está bem. Entretanto, se os avisos ficam sem resposta, crises de eliminação irão surgir em diferentes níveis de gravidade.

A maior parte das inflamações e infecções são esforços do organismo para se livrar das substâncias nocivas que se depositam nas suas células e nos espaços intercelulares.

Alergias, intoxicações, fungos, vírus e bactérias não são agressores externos que atacam o organismo “por acaso”. Seu papel é super útil, desde que os mecanismos de autodefesa do corpo estejam prontos para bloquear e controlar a sua ação.

Entretanto, a maior parte dos tratamentos realizados somente pelos sintomas de doenças agudas, bloqueiam os mecanismos de eliminação, proporcionando um bem estar imediato, mas sem assegurar uma cura verdadeira.

Ou seja, a causa da doença fica abafada por terapias supressivas, criando ainda outros fenômenos aos quais chamamos de efeitos colaterais. Neste caso, a causa não é atacada, o organismo fica mais intoxicado e mais enfraquecido.

O corpo físico não consegue mais se recuperar por crises de eliminação e aparecem as doenças crônicas.

Mas, ainda num esforço de absoluta inteligência divina, o organismo trata de confinar as toxinas a locais delimitados (como os abscessos de fixação, os tumores e cistos) ou para manter abertas algumas válvulas de segurança para a eliminação (como as úlceras que não cicatrizam). Sem dúvida, Deus é perfeito. Nós é que complicamos.

Então, que tal começarmos a ser cúmplices do nosso corpo e dialogarmos com ele diariamente? Permitirmos um banho interno diário, que limpa todas as toxinas de todas as partes dele?

Todas as culturas orientais valorizam estes rituais de limpeza para poder intensificar os trabalhos de evolução, o alinhamento com as energias de sanidade.

Para estas mesmas culturas, quando alguém é acometido de algum mal, a pessoa se sente grata, pois é um momento especial para a realização de uma introspecção e auto-análise.

É hora de saber se o que está acontecendo tem origem psicológica, emocional ou física (ou todas) e desfazer este padrão.

Trata-se de um momento de reflexão: parar, pensar e repensar a vida. Devemos ser gratos a tudo, inclusive àquela parte do corpo que está se sacrificando para ‘ANUNCIAR’.

O trabalho com a desintoxicação é muito simples, o difícil é despertarmos para a responsabilidade consciente de que devemos deixar sair TUDO o que nos impede de crescer. Para tanto, a doença é um grande mestre.

Fonte: Conceição Trucom – mctrucom@docelimao.com.br