Sim, o seu coração tem um pequeno cérebro.

Pela primeira vez cientistas mapearam os neurônios presentes no coração.

O nosso corpo todo tem neurônios, como os neurônios motores, mas esses neurônios do coração são diferentes e “pensam”, por isso os cientistas chamaram a descoberta de “mini cérebro”.

O nome técnico é Sistema Nervoso Intrínseco Cardíaco.

O co-autor do mapeamento Rajanikanth Vadigepalli disse: “Agora que temos um mapa abrangente do coração, a maneira como seguimos a medicina bioeletrônica mudará significativamente”.

Ele diz isso porque agora “temos informações disponíveis em um nível de resolução que antes não era acessível antes disso”.

Para que servem esses neurônios do coração?

Acredita-se que o papel dessa rede neural é regular alguns parâmetros, como o ritmo cardíaco e algumas coisas relacionadas à saúde cardíaca.

Para fazer esse mapeamento digital, os pesquisadores utilizaram ratos. Eles são muito utilizado nestes tipos de experimentos porque são muito parecidos com humanos em diversos pontos.

Neles, foi feito um tipo de microscopia de varredura, o que gerou um modelo 3D digital da anatomia do coração.

Depois, com neurônios individuais, eles puderam analisar a atividade gênica dentro deles, o que ajudou a classificá-los em diferentes grupos.

Cada grupo forma um aglomerado distinto, sendo a maioria no topo, mas com alguns nas costas do coração, e outros grupos concentrados no lado esquerdo.

O modelo pode ser visto na imagem abaixo.

(Créditos da imagem: ACHANTA, S et al)

A imagem A mostra os grupos de neurônios, separados por cores. Note que a concentração no topo é visível. As outras imagens mostram outros detalhes, como vasos sanguíneos, átrios e outros mecanismos cardíacos.

A vantagem de ter conseguido fazer essa distinção e localização é entender o papel de cada grupo.

O vídeo abaixo contém uma animação que explica melhor esse modelo.

Animação de um coração (Créditos da imagem: ACHANTA, S et al).

Aplicações

Zixi Jack Cheng, um dos autores do trabalho disse: “Com o mapeamento espacial da expressão do gene, podemos começar a discutir os papéis precisos que esses neurônios desempenham”.

“Grupos separados de neurônios da ICN têm funções diferentes ou trabalham de maneira integrada para influenciar a saúde do coração? Agora, podemos resolver essas questões de uma maneira que antes não era possível”, completa.

Os cientistas destacam no artigo que o trabalho já trouxe resultados que podem ajudar em dois projetos do programa SPARC (Stimulating Peripheral Activity to Relieve Conditions – algo como Estimulação de Atividade Periférica para Aliviar Condições), do Fundo Comum, atribuído ao Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH)

Esse fundo tem como intuito desenvolver técnicas e métodos de diferentes tipos de estimulação elétrica para melhorar atividades cardíacas de corações doentes.

O trabalho foi publicado no periódico de acesso aberto iScience.

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