O camapu (Physalis angulata) conhecido também por tomate-capucho, camaru, capota, juá-de-capote, cerejas-de-judeu e capucho, é uma planta encontrada na Amazônia que tem muitas propriedades.

Recentes pesquisas apontam agora para sua capacidade de combater doenças neurodegenerativas. Os pesquisadores paraenses descobriram que uma substância encontrada na planta estimula a produção de novos neurônios no hipocampo, área do cérebro ligada à memória.

Com a produção de novos neurônios, a hipótese é que novas sinapses, ou conexões entre as células do cérebro, sejam criadas, revertendo quadros de perda de memória recente comum em pacientes com Alzheimer.

A pesquisa é completamente inédita e mostra que a substância pode ser utilizada para elevar capacidade de raciocício e memória, além de sinalizar possível reversão de morte neuronal, quadro comum em pacientes com depressão, por exemplo.

A notícia é melhor ainda, principalmente pelo fato de esta substância estimular o crescimento neuronal justamente na área do hipocampo. O hipocampo está situado dentro do lóbulo temporal central do cérebro e faz uma parte importante do sistema límbico, a região que regula emoções.

O hipocampo é associado principalmente com a memória, em particular memória a longo prazo. O órgão igualmente desempenha um papel importante na navegação espacial.

Os danos no hipocampo podem conduzir à perda de memória e de dificuldade em estabelecer memórias novas. Na Doença de Alzheimer, o hipocampo é uma das primeiras regiões do cérebro a ser afetado, conduzindo à confusão e à perda de memória recente nas fases iniciais da doença.

A descoberta dos poderes neurogênicos do camapu foi mais um caso da ciência de apontar para um alvo e acertar em outro, ainda melhor. O camapu é conhecido tradicionalmente por sua atividade anti-inflamatória e antiprotozoária.

Enquanto tentavam comprovar em laboratório o poder anti-inflamatório do camapu, os pesquisadores identificaram a presença da substância com poderes de criar novos neurônios, na seiva do talo do camapu.

Os processos de obtenção da substância e fármacos já foram patenteados no mercado nacional e internacional. Agora a equipe de pesquisadores estuda a viabilidade de produzir fitoterápicos e tenta convencer a indústria farmacêutica da viabilidade de produção da droga, com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP) e do governo do Estado.

No momento, os pesquisadores envolvidos estão trabalhando para oferecer mais subsídios que irão agregar valor à pesquisa. Depois de comprovados os efeitos da droga, foram levantados questionamentos relativos à capacidade produtiva da planta e a sua sazonalidade, assim como a necessidade da execução de testes clínicos.

O processo é mais delicado por se tratar de um produto natural complexo, incapaz de ser sintetizado em laboratório. Também são essenciais os estudos de viabilidade, para saber a capacidade produtiva da planta e sua sazonalidade, com o intuito de quantificar o material orgânico que pode ser gerado por hectare plantado.

De acordo com os pesquisadores, para o estudo sazonal da Physalis angulata, é necessário avaliar o metabolismo da planta e identificar, por exemplo, se a substância isolada está presente em todo o seu ciclo vegetativo, em que momento do ciclo é atingido o auge da produção dessa substância e, assim, como observar se há diferença de comportamento nessa produção entre os períodos seco e chuvoso, típicos da região.

As propriedades medicinais da fruta são incríveis e, dentre as conhecidas e comprovadas, sabemos que a fruta é excelente fonte de provitamina A, C e do complexo B e é rica em proteína e fósforo, que são ótimos para o crescimento, desenvolvimento e funcionamento dos diversos órgãos do corpo.

É diurética e ajuda a eliminar toxinas do corpo, purifica o sangue, ajuda a controlar o diabetes, tem efeito relaxante graças ao teor de flavonoides e ajuda a acabar com a fadiga mental.

Todos esses benefícios só podem ser desfrutados a partir do consumo da fruta, mas é importante saber que o consumo em excesso pode causar dores no estômago, por causa do grau de acidez.

Fonte: http://raizesefolhas.com.br/camapu-estimula-producao-de-novos-neuronios/